QUATRO RODAS/SETEMBRO DE 2003

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10 de janeiro de 2020
ÉPOCA/JANEIRO DE 2003
10 de janeiro de 2020

QUATRO RODAS/SETEMBRO DE 2003

   Na revista Quatro Rodas há uma chamada com o seguinte texto: “AGORA É COM VOCÊ. Chega de desculpas! Aqui estão três modelos, estilos e, principalmente, preços diferentes para qualquer um se iniciar no fora-de-estrada”. 
Na semana passada, você se sentiu um anãozinho quando um big de um carrão 4x4 parou ao lado do seu hatch no cruzamento. Logo depois, ao chegar ao destino, sua mulher ou namorada abriu uma revista e soltou: “Olha que carro maravilhoso!” 
Era um desses utilitários esportivos com o galã da novela ao volante. No dia seguinte, você deu de cara com o vizinho a caminho de uma trilha na mata - ou pior!, do Rally dos Sertões. 
Aí já era demais! Você puxou o extrato no banco e começou a fazer as contas para entrar no mundo 4x4. Com a tabela de preços na mão, enumerou quase três dezenas de opções. Viu que os preços variavam de 52.000 reais, casos das picapes médias, até os estratosféricos 480.000 reais de um Mercedes-Benz ML 55 AMG. Como você não está exatamente atrás de uma picape e meio milhão de reais lhe parece um pouco demais, QUATRO RODAS traz nas páginas seguintes três opções para diferentes gostos e diferentes maneiras de rodar os primeiros quilômetros no segmento fora-de- estrada. 
A primeira sugestão é para que está com a grana curta e não se importa de chegar em casa sujo de lama. Que tal desembolsar 10.000 reais por um Jeep Willys? Claro não será um modelo zero-quilômetro, mesmo porque o veículo deixou as linhas de montagem em 1982. Mas estamos falando de um genuíno 4x4, capaz de rebocar da lama muito jipe bonitão por aí. Caso a idéia lhe pareça rústica demais e você esteja disposto a gastar cerca de 60.000 reais, pule um Troller. O jipe cearense é uma espécie de Willys da virada do século. Tirando as picapes, é o 4x4 mais barato do mercado. Más, se o valor do cheque não é o seu problema, você tem opções que encaram um 4x4 e não fazem feio na cidade. Pelo contrário. Utilitários esportivos como o Toyota Land Cruiser (177.000 reais) combinam mais com shopping centers e restaurantes de luxo que com lama. 
Ele foi concebido por uma fábrica cearense para ser o Willys da virada do século. O visual, é verdade, lembra o do Jeep, más o conforto a bordo nem se compara. Calma. Não estamos querendo dizer que o Troller é um carro que prima pelo conforto, mas não comparemos seu interior e seu rodar com os do Willys. O Troller T4 
é um carro mais voltado para a terra e parece estranhar o trânsito urbano. Meio desengonçado, lembra um caminhãozinho. Clécio Antonio Eloy, diretor de desenvolvimento de negócios da Troller, no entanto, calcula que mais da metade das 3.200 pessoas que o compraram para ser o segundo ou terceiro carro da família gostou tanto que passou a usa-lo no dia-a-dia. Os equipamentos que fazem o bem-estar a bordo, é verdade, estão todos lá: direção hidráulica, ar-condicionado, bancos de couro e acionamento elétrico para vidros, travas e retrovisores. 
Como seu concorrente direto, o também nacional Mitsubishi Pajero TR4, está longe de ser um sofrimento habituar-se a andar com o carro na cidade. Mas boa parte de seu preço (60.000 reais) diz respeito à sua valentia longe do asfalto. Seus ângulos de ataque (56 graus) e de saída (47 graus), por exemplo, lhe credenciam a transpor barrancos que parecem invencíveis. Ele deixa para trás aguaceiros de até 80 centímetros. Toda essa bravura, já o fez erguer troféus internacionais. Em 2001, por exemplo, chegou em segundo lugar na categoria diesel do Paris-Dacar. Donos de Troller têm até uma competição exclusiva organizada pela marca. 
Ali, o ruído do motor, a embreagem dura e a falta de maciez da suspensão fazem parte do jogo. Na cidade, tudo isso, a falta de precisão da direção (causada pelo grande diâmetro de giro) e o pequeno esterçamento das rodas cansam a beleza do motorista. A condução na cidade também não tem a ajuda do motor: em baixas rotações, ele deixa a desejar. Más lá pelas 2.000 rpm, quando o turbo entra em ação, o motorista pode pisar que o carro responde com gosto. É mais uma prova de que o Troller quer mesmo é ir para a terra, onde as rotações estão sempre em alta. 
TROLLER – É uma boa opção se você: 
Quer mesmo se meter na lama, na água e cercanias. § Aí do lado está um modelo 2003. § A Troller não tinha disponível a versão 2004 com faróis redondos. Más isso é detalhe. § A mecânica continua robusta, o que lhe vale lugar garantindo em qualquer rali de resistência. Tudoisso a um preço razoável. Só não espere conforto na cidade. PREÇO: 55.870 a 58.970 reais.